sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

DESVENDANDO OS SEGREDOS DA MAÇONARIA - PARTE III


VOU TE CONTAR UM SEGREDO, E VOCÊ, CARO LEITOR,
PROMETE NÃO REVELÁ-LO A NINGUÉM



Ilustração do interior de uma maçonaria


Você seria capaz de guardar um grande e terrível segredo, ainda que isso custasse a sua felicidade e tivesse que conviver com a indiferença de seus entes mais queridos por você não lhes contar o que guarda de tão bombástico? Muitas pessoas acreditam que os maçons são assim, que guardam um segredo capaz de mudar os rumos da humanidade, e que já fazem isso há muitos e muitos séculos. Há quem diga que a maçonaria cultua Satanás e que o próprio se manifesta pessoalmente durante as cerimônias da maçonaria, e há também quem acredite que só é maçom quem é muito rico. Neste último capítulo do nosso estudo, passaremos a desvendar os “segredos” da maçonaria, conhecer a sua origem, os símbolos utilizados e a sua influência na historia da sociedade através dos tempos.
O compasso e o esquadro com o G (God = Deus), significa "O Grande Arquiteto do Universo"
De todas as teorias a respeito da origem da maçonaria, apresentaremos três teses, que atribuem a sua origem a três períodos distintos da nossa historia. A primeira remonta à construção do templo de Jerusalém, no reinado de Salomão, quando o engenheiro-chefe do reino, Hiram Abiff, foi assassinado por três de seus pupilos, supostamente devido a promoção de cargo e por guardar segredos de engenharia e arquitetura, cujos foram enterrados junto com o seu fiel guardião, que se tornou o maior exemplo de fidelidade aos princípios maçônicos de todos os tempos. A segunda, defendida por historiadores maçons como Christopher Knight e Roberto Lomas, diz que a maçonaria é herdeira direta dos poucos cavaleiros templários que não foram trucidados por ordem do papa de do rei da França entre 1307 e 1314.
A Ordem dos Cavaleiros Templários

Ao ingressar na Ordem dos Templários, oficialmente criada e reconhecida em 1185 e diretamente subordinada ao papa, única autoridade acima do Grão Mestre, o monge abria mão de toda a sua propriedade em prol da Ordem que, a este tesouro agregou muito do que foi conquistado ou transacionado durante o auge das Cruzadas. Os Templários se tornaram uma das mais sólidas forças econômicas da Idade Média e chegavam a efetivar muitas transações parecidas com atividades bancárias. Com a Europa cercada ao Norte pelos Vikings, ao sul e sudeste pelos Muçulmanos e a leste ora por Hunos, ora por Mongóis, era importante contar com um grupo armado capaz de proteger riquezas em transportes ou mesmo garantir o pagamento de pequenos montantes mediante apresentação de uma identificação positiva do portador do que seria equivalente a um “título bancário” moderno. Fosse metade de uma jóia com encaixe perfeito ou uma carta criptografada na qual se revelavam as perguntas a serem feitas ao portador que, respondendo apropriadamente, receberia o crédito esperado em qualquer unidade dos Templários em qualquer lugar da Europa, África ou Palestina. Ao invés de viajar com riquezas, muitos preferiam contar com este serviço dos Templários que, naturalmente, cobravam um valor justo para realizá-lo e assim ampliavam seu tesouro.
Ilustração da Revolução Francesa

O ano de 1305 encontra a Ordem dos Cavaleiros do Templo e a Ordem dos Hospitalários sediados na ilha de Chipre, pois os muçulmanos haviam retomado a Terra Santa. Ansiavam por uma última Cruzada, que jamais ocorreu. O rei da França Felipe de Valois, conhecido como “Felipe o Belo”, concebeu um plano voltado a apoderar-se da enorme riqueza dos Templários e ter perdoada sua enorme dívida para com a Ordem e assim amealhar recursos para seus projetos temporais de ampliação territorial sobre a Inglaterra. Para tanto precisava da aquiescência do papa Clemente V (Bernardo de Goth, ex-arcebispo de Bordeaux) que, imediatamente, concebeu o plano de unificar as duas Ordens rivais, ou subordinar todos aos Hospitalários. Convocou os dois Grãos Mestres de ambas as Ordens a um encontro em Paris. O Grão Mestre dos Hospitalários deu uma desculpa convincente e faltou ao encontro. Jacques De Molay, Grão Mestre dos Templários, então contando quase 70 anos de idade, compareceu ao encontro com dois documentos: um plano detalhado para uma nova Cruzada (que presumia ser o principal motivo da convocação) e um arrazoado explicando as diferenças e motivos que considerava relevantes para manter Templários e Hospitalários como ordens distintas.

De Molay foi recebido com todas as honras em Paris. Durante dois anos – período durante o qual Felipe de Valois ficou de apresentar sua decisão final sobre os dois documentos trazidos por Jacques De Molay – Guilherme de Nogaret, ministro de Felipe “o Belo”, arquitetou o plano para aprisionar a um só tempo todos os Templários em todos os pontos da Europa. Foram expedidas cartas lacradas aos senescais (líderes políticos e religiosos locais) de todas as paróquias com ordens expressas de somente abri-las a 12 de setembro de 1307. Naquela data, Jacques De Molay contava-se entre os maiores nobres da Europa a carregarem o caixão da princesa Catarina, falecida esposa do irmão do rei Felipe, Carlos de Valois. No mesmo momento em que o Grão Mestre dos Templários participava deste solene evento fúnebre em companhia dos nobres, não havia meios que lhe permitissem saber da trama, menos ainda do conteúdo das cartas que, abertas, tornariam a sexta-feira 13 (naquele caso de setembro de 1307) o dia mais aziago do ano: 15 mil homens (o número total de Cavaleiros Templários) deveriam ser aprisionados em grilhões especialmente confeccionados e despachados a todos os pontos com esta finalidade. As acusações que conduziram os Templários a tal situação, evidentemente forjadas, variavam de pederastia até a profanação de objetos sagrados passando por uma gama variegada de peculiares consideradas sacrílegas e heréticas ao imaginário da Santa Inquisição.
Robespierre, um dos líderes da Revolução Francesa

De defensores maiores da Fé Católica, subordinados diretamente ao papa, autoproclamado “Vigário de Deus na Terra”, passaram os Templários, na sexta-feira 13 de setembro de 1307 à condição de hereges e, como tal, deveriam ser e a maior parte deles o foi, supliciado de maneiras monstruosas como, após anos de torturas as mais diversas, ter o ventre aberto a faca e ver suas entranhas serem arrancadas e jogadas ao fogo morrendo lentamente entre tormentos atrozes. Um número enorme de Templários recebeu a pena de sofrerem a morte na fogueira; alguns com o beneplácito de ter um colar de pólvora amarrado ao pescoço (o que apressava a morte) outros em lenha seca, ardendo lentamente. Jacques De Molay foi supliciado por 7 anos.

Não satisfeitos, o rei e o papa consideraram que uma confissão pública de culpa seria a única coisa que poderia convencer a todos de que os “crimes” inacreditáveis imputados aos Templários eram realmente verídicos. O Grão-Mestre Jacques De Molay e Guy D’Alvergnie, um dos mais elevados cavaleiros Templários foram conduzidos – corpos envelhecidos e alquebrados por sete anos de suplícios nos calabouços e masmorras francesas – ao cadafalso onde, após a confissão, lhes seria garantida uma morte rápida. Juntando todas as suas forças morais, ambos negaram a quantos ali estavam para ouvir, todas as supostas heresias de que eram incriminados. A pena para tal comportamento segundo as leis da Santa Inquisição era uma só: morte na fogueira. Toda a riqueza dos Templários foi transferida para a Ordem dos Hospitalários por ordem do papa.


Na Inglaterra a Santa Inquisição não era recebida em 1307. Menos ainda na Escócia. Na Península Ibérica (faceando-se aos mouros dentro de seu próprio território) os dirigentes não manifestaram qualquer disposição para erradicar seus mais valorosos defensores, mesmo que ali o aparato da Santa Inquisição atuasse dramaticamente. Na região da Prússia (mais ou menos onde ficam hoje a Alemanha e a Polônia) tampouco houve perseguições significativas. Os Templários eram poderosa e segura barreira contra os magiares e mongóis. Estas circunstâncias propiciaram bastante tempo aos remanescentes dos Templários, irmanados por laços ainda mais fortes ao perder o seu vínculo com Deus através da Igreja Católica Romana, profundamente religiosos e acostumados a um linguajar codificado, à auto-proteção diante de um adversário poderoso e grande habilidade bélica, a que se articulassem para resistir “na clandestinidade”, como diríamos hoje. Tais circunstâncias obrigam ainda a, refeitos do susto e do medo, repensar os fundamentos de sua Fé e mesmo nutrir sentimentos de vingança.

Examinando cautelosamente todos que apresentassem potencial, concediam Iniciação à Ordem àqueles que tivessem justos motivos para temer a mão pesada do papado e de sua Santa Inquisição. Assim, não é delirante supor que muitos alquimistas e rosacruzes, entre outros proscritos, tenham encontrado refúgio seguro sendo aceitos entre estes irmãos perseguidos tão injustamente pela Igreja Católica Romana. Afastados das obrigações estritas da Regra inicialmente criada por Bernardo de Clairvaux, tais como os votos de castidade e pobreza, se aqueles Templários se mantiveram ativos em segredo, como tudo leva a crer, mantiveram uma série de comportamentos e ensinamentos, disfarçando-os, e acrescentaram uma série de outros de acordo com a evolução dos tempos. Por exemplo: no seio de que outro grupo encontrar refúgio para o desenvolvimento das ciências – particularmente condenadas pelo Vaticano – no quadro da Europa Medieval? Reporta-se que, em momentos de grandes incêndios na Europa, em especial na Inglaterra (no século XVII ocorreram grandes incêndios em Londres e Edimburgo, capital da Escócia) a reconstrução, em especial a Geometria, tomou conta desta Organização então Secreta com tal vigor que esta palavra tornou-se praticamente sinônimo de Maçonaria.
Solidariedade dos maçons

Um grupo grande de homens, coeso, irmanado e subitamente perseguido pela Igreja que até então venerava, encontrou meios de sobreviver, manter-se e progredir a despeito de todas as agruras, perseguições, campanhas mentirosas e crises. Sempre se suspeitou haver alguma forma de conexão entre a Ordem dos Templários e a Maçonaria, mas poucas provas se apresentavam e nenhuma suficientemente convincente. A mais contundente diz respeito precisamente à Rebelião Camponesa de 1381 na Inglaterra (70 anos depois do decreto papal dissolvendo a Ordem do Templo) que teve como alvos precisamente os representantes do papado e da monarquia francesa na corte britânica, além da Ordem dos Hospitalários. Liderada por um homem chamado “Tyler” que destruiu boa parte das propriedades e construções dos Hospitalários, mas cuidadosamente salvaguardou a principal edificação Templária da Inglaterra, a Igreja da Rua Fleet, consagrada em 1185 pelo Patriarca de Jerusalém.

Por fim, pesquisadores independentes acreditam que a origem da maçonaria moderna remonta às reuniões promovidas pelas corporações de ofício – espécie de sindicatos da Idade Média –, nas quais os trabalhadores mais qualificados da Europa trocavam experiências sobre seus truques profissionais, principalmente no que concerne à construção, profissão que lhes rendia altos salários, sendo-lhes lícito, portanto, guardar seus conhecimentos profissionais sob o mais absoluto sigilo. Segundo alguns, a palavra maçom é derivada do inglês mason (pedreiro), por isso esse período da historia da instituição ficou conhecido como Maçonaria Operativa. Entre os séculos XVI e XVII, as técnicas de construção começaram a se desvalorizar e as corporações tiveram que mudar o tom das reuniões, em especial na Grã-Bretanha, ganhando traços de alquimia e rituais simbólicos, e abriram espaço para quem trabalhasse com construção e topasse guardar segredo sobre o que acontecia nas reuniões. Assim, começa o período conhecido como Maçonaria Especulativa, existente até hoje, voltada para o conhecimento filosófico.
Cerimônia maçônica

A expansão da sociedade secreta atraiu os nobres, ao passo que se tornava chique participar daquelas cerimônias cercadas de mistérios, e os trabalhadores, por sua vez, sentiam-se importantes em estar ao lado da nobreza. Abriram-se lojas em muitas cidades inglesas e, em 1717, quatro dessas se uniram para fundar a Grande Loja de Londres – o Vaticano da Maçonaria – que até hoje é a mais importante loja maçônica do mundo. Em 1722, foi escrita a Constituição de Anderson, um manual que continha as normas e os rituais que eram transmitidos oralmente na maçonaria, escrito por James Anderson, e foi escolhido o primeiro grão-mestre, Anthony Sayer, vendedor de livros da região londrina de Convent Garden. Por ter adotado uma postura altamente revolucionária para a época, a maçonaria despertou a ira de monarcas e da Igreja Católica, e promoveu uma grande transformação nos costumes sociais e na divisão do poder. Nesse mesmo período surgiram outras organizações secretas como a Rosacruz e a Illuminati – já estudadas nos dois posts anteriores.

A maçonaria se desenvolveu como uma fraternidade estatal, com hierarquia e legislação, concedendo aos seus membros liberdade de pensamento. As lojas maçônicas apresentam muitas diferenças entre si, mas também têm muito em comum, especialmente as regras e os rituais. Em todas elas, por exemplo, somente homens são admitidos, e estes devem crer em Deus, ter no mínimo 18 anos de idade e sem nenhuma deficiência física, não importando se são judeus, católicos, budistas ou muçulmanos. Depois de ser convidado por um maçom, o candidato precisa passar por uma entrevista e ter a sua vida investigada por integrantes da Ordem. Os templos não têm janelas, cuja entrada é voltada para o ocidente, onde a pintura é mais escura, e o altar fica no outro extremo, o oriente, onda a pintura é mais clara, significando que o conhecimento é oriundo dali. Nas paredes há 12 colunas, uma corda com 81 nós e outros símbolos como as pedras bruta – representando o homem antes de ser maçom – e a polida – que representa o maçom, livre do mundo profano. Os homens vestem aventais durante as cerimônias, em veneração a Deus – o Grande Arquiteto do Universo, para eles. Nas primeiras sessões, Deus tem um nome específico, sendo esse um dos mais bem guardados segredos da maçonaria, e que será revelado mais adiante.
 
Essa atmosfera de mistério sempre intrigou muito a Igreja Católica, temerosa de perder o controle religioso que detém, hoje até menos do que antes, quando os papas Clemente V e Bento XIV emitiram duas bulas condenando a Ordem, como já vimos. Em 1983, quando comandava a Congregação para a Doutrina da Fé, o papa Bento XVI publicou a Declaração sobre as associações maçônicas, escrevendo que “os fieis que pertencem às associações maçônicas estão em pecado grave”. Escrita no contexto das grandes revoluções burguesas da Europa do século XIX, revoluções que suprimiram todas as terras da Igreja e criaram Estados Laicos em toda a Europa e estes se espalhavam por todo o mundo, Leão XIII escreveu a bula Humanum Genus sob grande estresse, sendo promulgada em 1884. São apenas 15 páginas que condenam vigorosamente não apenas a Maçonaria, mas toda e qualquer associação ou organização de seres humanos alheia à Igreja Católica Romana (Protestantes, Judeus, Muçulmanos, Espíritas, Budistas, Positivistas, Socialistas, etc.) Fora da Igreja Católica Romana Leão XIII, o primeiro papa na história que não foi rei, nem coroou rei algum, somente enxergava escuridão, pecado e erro.

A verdade é que, para além dos seus segredos, as lojas maçônicas serviram – e ainda servem – de espaço para conchavos e grandes decisões políticas. Seus ideais espelhados no iluminismo inspiraram muitos de seus integrantes, que se engajaram em revoluções que sacudiram o mundo, derrubando governos e literalmente fazendo rolar cabeças de reis e rainhas. Os maçons dos séculos XVIII e XIX eram vistos como os comunistas do século XX. Mas, em geral, se tratam de pessoas liberais, receptivas a novas ideologias e preocupadas em reorganizar a sociedade, tanto que os princípios da Revolução Francesa – liberdade, igualdade e fraternidade – fizeram da visão de mundo maçônica o mote da nova nação que se pretendia construir, uma nova ordem mundial. Contudo, nem todos os líderes da revolução eram maçons – os “cabeças” Danton e Robespierre não eram maçons. Já na independência dos Estados Unidos, a participação maçônica foi mais ativa.
Na América do Sul, os revolucionários Símon Bolívar, José de San Martín e Bernardo OHiggins se reuniam na loja maçônica de Lautaro (nome dado em homenagem ao índio que liderou a revolta contra os espanhóis no século XVI), que se estendeu ao Brasil, tendo membros como José Bonifácio de Andrada e Silva, o Barão do Rio Branco e o príncipe regente e depois imperador Pedro I – que teve ascensão meteórica na maçonaria, tendo sido iniciado em 2 de agosto de 1822, promovido a mestre três dias depois e a grão-mestre em menos de dois meses, quando, já imperador, proibiu as atividades maçônicas no Brasil, após 17 dias de ser promovido ao grau supremo da maçonaria, provavelmente em razão de ter que agir em igualdade de direitos e deveres, no âmbito da ordem, em relação aos demais integrantes, visto se tratarem como irmãos, independente da classe social de cada um.

Já legalizada, em 1831, grande parte da maçonaria aderiu ao movimento abolicionista, anticlerical e, mais tarde, republicano para forçar a queda da monarquia brasileira. A luta contra o poder da Igreja colocou a maçonaria na linha de frente da defesa de um estado laico, como o estabelecido em 1891 pela primeira Constituição da República, agindo, a ordem, dentro de sua filosofia de lutar por um país mais racional, e com ordem, que só assim chegaria ao progresso. Daí, o lema “ORDEM E PROGRESSO” escrito na bandeira brasileira.
Se você chegou até aqui, deve estar se perguntando pelo segredo. Afinal, qual é o grande segredo da maçonaria? Pois bem. Podemos afirmar, no entanto, que o segredo consiste basicamente de rituais e códigos que serão desvendados, finalmente, no próximo post, que encerra o estudo sobre a organização. Os maçons cultivam o silêncio com extremo cuidado. Há frases que têm abreviações aparentemente indecifráveis, mas, que, na verdade, são palavras simples reduzidas a sílabas acrescidas de três pontos em forma de delta (.'.), o mesmo símbolo que aparece ao lado da assinatura de um maçom. Exemplos: Loj.'. = Loja; Ir.'. = Irmão (forma como os maçons se tratam);  Prof.'. = Profano (aquele que ainda não é maçom). Algumas palavras são reduzidas às iniciais e duplicadas em caso de plural: VVig.'. = vigilantes; AApr.'. = aprendizes; G.'.A.'.D.'.U.'. = Grande Arquiteto do Universo. Algumas são escritas para serem lidas da direita para a esquerda, numa referência ao alfabeto hebraico: MOCAM.'. = maçom.
Poderemos, ainda, identificar os maçons na forma como eles se cumprimentam. Num aperto de mão, eles encostam o indicador no pulso de quem estão cumprimentando, e, num abraço, eles colocam um braço por cima e o outro por baixo, em X, e dão três tapinhas nas costas um do outro e trocam de posição outras três vezes. Outro gesto pelo qual podemos reconhecer um maçom fora do templo é o de passar a mão pelo cabelo, virando-a durante o movimento, bem como sentar-se com a coluna ereta e colocar os pés em forma de esquadro para ser reconhecido por outros em locais públicos, visto que, durante as cerimônias, os maçons devem estar sempre eretos.
Portanto, o segredo da maçonaria é uma espécie de viagem espiritual para os iniciados, que dificilmente pode ser exprimido por palavras. É algo que o maçom guarda para si, no mais íntimo do seu ser, e que será desvendado no próximo post, último da série. Até lá!.'.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

DESVENDANDO OS SEGREDOS DA MAÇONARIA - PARTE II



A DISSOLUÇÃO DA ORDEM DOS ILLUMINATI E A SUA INFLUÊNCIA NA ATUALIDADE

Simbologia, Legado Cultural e Teorias Conspiratórias






Aqui, conheceremos como foi extinta a Ordem Illuminati e como se deu a sua disseminação pelo mundo, influenciando a cultura e os eventos da história da humanidade, principalmente nos Estados Unidos da América e a sua origem no Brasil, sob a denominação de Os Aquisitores.
Karl Theodor

A dissolução dos illuminati ocorreu em 22 de julho de 1784, quando o Príncipe-Eleitor da Baviera, o duque Karl Theodor advertiu sobre o perigo representado pelos illuminati para a Igreja Católica e as monarquias por causa dos seus objetivos ideológicos, e aprovou um decreto contra a sociedade bávara, a Maçonaria e em geral qualquer sociedade não autorizada por lei, abrangendo as duas primeiras instituições como se tivessem natureza comum, apesar do grande conflito já existente naquela época entre os illuminati e os maçons. Weishaupt foi demitido de sua cátedra e exilado em Redensburg, para liderar a Ordem no exterior sob a proteção do duque de Saxe. Em 1785, o edital foi confirmado e assim começou a perseguição e detenções aos membros da sociedade, como se fora criminosos.

Francisco I

Os planos mais secretos dos illiminati foram revelados por acaso na noite de 10 de julhos de 1784, dez dias antes da intervenção do Prícinpe-Eleitor, quando o abade Lanz, mensageiro de Weishaupt, foi atingido por um raio e morreu, tendo sido encontrados documentos importantes entre seus hábitos, cujos se tratavam de planos secretos para a conquista mundial. As investigações da época atribuíram a Francisco I, Sacro Imperador Romano-Germânico, o complô contra todas as monarquias, sobretudo na França, onde mais tarde, em 1789, resultou na Revolução Francesa e na queda de Luís XVI e Maria Antonieta, seus últimos monarcas.

Segundo René Chandelle (“Os illuminati e a Grande Conspiração Mundial”), Weishaupt fundou a Ordem com cinco objetivos essenciais, quais sejam: o fim dos governos, das propriedades privadas, do conceito de nação, da família e das religiões. Os illuminati, valendo-se de seu poder econômico-político-social, teriam a missão de originar os conflitos necessários com o fim de erradicar as monarquias e outras formas de governo, centralizar o poder econômico entre os membros da irmandade, criar um grande império com o objetivo de criar uma nova ordem mundial, estabelecer os conceitos de famílias livres do vínculo sacramental e das crenças religiosas como uma forma de distração e perigoso elo com o poder inimigo (ou seja, a Igreja Católica).

Ordem dos Cavaleiros Templários

Apesar de sua curta duração, Os Illuminati da Baviera lançaram uma longa sombra na história popular, graças aos escritos de seus opositores sobre supostas teorias conspiratórias que têm colorido a imagem dos maçons-livres e ofuscado a dos illuminati. Em 1797, o abade Augustin Barruel publicou o livro “Memórias ilustrativas da história do Jacobinismo, delineando uma vívida teoria conspiratória envolvendo os Cavaleiros Templários, os rosacruzes, os jacobinos e os illuminati. Simultaneamente, John Robinson, ex-maçom escocês e professor de História Natural, começou a publicar, em 1798, “Provas de uma conspiração contra todas as religiões e governos da Europa”, onde fez extensas citações da obra de Barruel, alegando apresentar evidências de que uma conspiração dos illuminati estava dedicada a substituir todas as religiões e nações com o humanismo e um governo único, respectivamente.

O Illuminati foi e é uma sociedade secreta muito bem organizada, e nos oferece uma gama de mistérios e símbolos muito peculiares e com significados deveras curiosos, e, alguns deles assustadores. A começar pela data de fundação da orem dos Illuminati, 1º de maio, que, coincidentemente, é a mesma em que se comemora o Dia do Trabalhador, o que, segundo Louis Blanc (“Histoire de La Révolucion Française”), qualifica Adam Weishaupt como o “mais profundo conspirador”.

Coruja de Minerva

O símbolo oficial dos illuminati é a Coruja de Minerva – deusa romana da sabedoria. A coruja, caracterizada por hábitos diferentes das outras aves, é ave de rapina por excelência, e, além de observadora, é misteriosa, esperta e muito curiosa, já que possui uma visão muito rara e apurada (unidirecional: ela gira quase que completamente a cabeça, sendo possível observar praticamente todos os lados), algo muito superior às demais classes de animais. Seu olhar penetra nas trevas como a inteligência penetra na obscuridade das coisas.



O livro “Os Illuminati”, de Robert Wilson – já citado no post anterior – chama a atenção para a curiosidade presente na bandeira americana, que possui 13 divisões horizontais, sendo também 13 as camadas presentes na pirâmide com o olho que tudo vê (ou Olho da Providência) – um dos mais importantes símbolos illuminati. Observe:

 

 

 

 

 

O Olho que tudo vê (selo dos EUA) também está presente nas notas de U$ 1 (um dólar), tendo sido introduzido em 1933, pelo então presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, um dos 13 presidentes americanos que eram maçons. Uma das teorias aponta que a utilização desses símbolos ocultos no dinheiro sintetiza a crença do monopólio que o Estado detém sobre a energia psíquica, condicionando neurologicamente a população capitalista de que o dinheiro equivale à segurança e a falta dele causa insegurança. Para alguns pesquisadores mais ferrenhos, o olho se refere a Lúcifer, e, para os mais ponderados, a Deus, o grande arquiteto do Universo, haja vista haver a inscrição “In God we trust” (Cremos em Deus). Há também a teoria de que o olho alude à capacidade dos membros da Ordem estarem em todos os lugares, seja pelos mais avançados sistemas de espionagem ou pelos meios de comunicação. Uma coisa é certa, eles dominam a mídia. Veja que este não é o único símbolo illuminati presente na cédula.

A pirâmide, dividida em duas, é constituída de 72 blocos de pedra, que, para uns, é uma alusão aos 72 degraus da escada de Jacó – relacionada ao judaísmo e a cabala – e, para outros, ela não foi concluída, dando a entender que ainda há algo por vir. A águia introduzida na cédula em 1841, com 13 estrelas acima delas (os 13 estados americanos), tem nove plumas na cauda (9 também são os graus do ritual maçônico de York), e suas asas exibem 33 penas (número de graus do rito escocês), e segura, na pata esquerda 13 flechas (ação e transmutação), e no bico um pergaminho no qual lê-se: “Et pluribus unum” (que, em latim, traduz a necessidade de integrar e agrupar os membros das antigas colônias que agora constituiriam uma única nação).



A frase Annuit coeptis inscrita em latim acima da pirâmide, quer dizer “Ele tem aprovado (ou favorecido) os nossos empreendimentos”, e abaixo dela, Novus ordo seclorum significa “A nova Ordem dos séculos”. No site Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Annuit_coptis), extraímos o seguinte excerto:

Annuit cœptis, (no Anglo latim é pronunciado / ˈænjuːɪt ˈsɛptɨs /), é um dos dois lemas, (sendo o outro Novus ordo seclorum), no verso do Grande Selo dos Estados Unidos. Tomadas a partir da expressão latina annuo (aprovar) e cœpta (começar, empreender), literalmente significa "Ele aprova (ou tenha aprovado) [nosso(s)] empreendimento(s)".
Em 1782, o Congresso nomeou um artista em desenho, Willian Barton, de Filadélfia, para trazer uma proposta para o selo nacional. Para o reverso, Barton sugeriu uma pirâmide de treze camadas abaixo do Olho da Providência. O lema que Barton escolheu para acompanhar o desenho era Deo Favente Perennis, "Perenne (eterno) pela graça de Deus".

Desenho de Willian Barton, com o título "Deo Favente Perennis"

Barton explicou o lema referente ao Olho da Providência: "Deo favente que alude o Olho nos braços (ao redor), voltados para o Olho da Providência”. Para Barton, God (Deus) e o Olho da Providência são a mesma entidade.
À luz de fato, de que o tema "13" foi incluído em ambos os lados do selo, um mês mais tarde, Charles Thomson corrigiu o lema de Barton com uma frase de 13 letras. O lema da parte da frente do selo (E pluribus unum) já tinha 13 letras. Thomson sugeriu uma frase que era sinônimo de Deo favente mas com treze letras: Annuit Coeptis.
Quando Charles Thomson tornou como oficial a sua explicação sobre o significado do lema, ele escreveu: "O Olho sobre ela [a pirâmide], e o lema Annuit Cœptis alude as muitas interposições e sinais da providência em favor da causa americana."
Assim, tanto o lema e o Olho da Providência, faz alusão à mesma realidade. O Olho da Providência era comumente entendido como um símbolo de Deus e o destino.
Assim, Annuit Cœptis é traduzido pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, pelo United States Mint e pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos como "Ele (Deus) tem favorecido nossos compromissos" (entre parênteses no original).
Annuit cœptis e os outros lemas no verso do Grande Selo, Novus ordo seclorum, ambos tem sua origem nas linhas pelo poeta romano Virgílio. Annuit cœptis, provém do Eneida, do livro IX, linha 869, que se lê, Iuppiter omnipotens, audacibus adnue cœptis. É uma oração por ascanius, filho do herói da história, Eneias, que se traduz como "Poderoso Júpiter, favorecem [meu] ousados empreedimentos". De acordo com a antiga religião estatal de Roma, apropriadamente chamada de deorum cultus romanum, Júpiter foi chefe do panteão de deuses.”

Observe a coruja presente – de forma oculta – no canto superior direito da cédula de 1 dolar

Robert Wilson, em seu livro, tece uma tese acerca do que interpreta em relação a algumas famosas cadeias de TV, não se atendo, claro, às suas traduções oficiais, mas, ao que nos parece oculto. Vejamos:

NBC: New Bavarian Conspiracy (Nova Conspiração Bávara).

CBS: Conservatite Bavarian Seers (Videntes Conservadores Bávaros), cuja logomarca é um olho.

ABC: Anciente Bavarian Conspiracy (Antiga Conspiração Bávara).

Acredita-se que os Illuminati já sabiam de todos os eventos históricos que viriam a acontecer e que marcaram a humanidade, pois, em 15 de agosto de 1871, Albert Pike e Giuseppe Mazzini, membros da Ordem dos Illuminati – o primeiro fundou a seita Ku Klux Klan – escreveram uma carta, hoje guardada no Museu Britânico (Londres), programando o terceiro grande conflito que envolverá todas as culturas do mundo, eis um trecho da mesma:

“A terceira guerra mundial deverá ser fomentada através do aproveitamento dos diferendos promovidos pelos agentes dos iluminados ente o sionismo político e os dirigentes do mundo muçulmano.A guerra deve ser orientada de tal forma que o islão e o sionismo político se destruam mutuamente, enquanto outras nações se veem obrigadas a entrar na luta, até o ponto de se esgotarem física, mental, espiritual e economicamente. [...]”

Allan Chapman

Mais recentemente, Antony Cyril Sutton sugeriu que a Skull and Bones foi fundada como o ramo norte-americano dos Illuminati. Robert Gillete defende que esses illuminati pretendem, em última instância, estabelecer um governo mundial por meio de assassinatos, corrupção, chantagem, controle dos bancos e outras entidades financeiras, infiltração nos governos, e causando guerras e revoluções, com a finalidade de colocar seus próprios membros em posições cada vez mais altas da hierarquia política. Thomas Jefferson, por outro lado, defendeu que eles pretendiam espalhar informação e os princípios da verdadeira moralidade. Ele atribuiu o caráter secreto dos Illuminati ao que chamou de “a tirania de um déspota e dos sacerdotes”. Ambos parecem concordar que os inimigos dos illuminati foram os monarcas da Europa e a Igreja. Barruel afirmou que a Revolução Francesa foi planejada e controlada pela Ordem através dos jacobinos, e mais tarde os adeptos de teorias conspiratórias também atribuíram a eles a responsabilidade da Revolução Russa (1917), a Revolução Americana, as Guerras Mundiais e os ataques de 11 de setembro de 2001, visando a formação de uma Nova Ordem Mundial secular baseada na razão científica. Allan Chapman, um dos investigadores não-oficiais do assassínio de John Kennedy, disse ao jornal "New Yorker" acreditar que os illuminati existem realmente.

Steve Jackson, criador do INWO
 Em 1995, um jogo de RPG criado por Steve Jackson – o INWO (Illuminati New World Order – Illuminati: a Nova Ordem Mundial) foi lançado no mercado, aduzindo que os illuminati escreveram a História muito antes de ela acontecer. O jogo contém 9 (nove) cartas com figuras que descrevem fatos que aconteceriam na História, eventos envolvendo bioterrorismo, desastres, anarquia, entre outros. No site http://www.sjgames.com/inwo/ há detalhes sobre a investigação realizada pelos serviços secretos contra Jackson, que quase foi impedido de lançar o jogo que predisse o ataque terrorista de 11 de setembro nos Estados Unidos. As cartas do jogo, imagens abaixo, mostram um edifício no canto inferior esquerdo de uma das Torres Gêmeas, com um símbolo illuminati, e a outra do Pentágono praticamente intacto, apesar de atingido por uma das aeronaves, como de fato aconteceu. As demais cartas representam eventos que ainda não ocorreram, e uma delas retrata o Empire State Building.


 

Escritores como Mark Dice, David Icke, Ryan Burke, entre outros, defendem que os eventos mundiais continuam sendo controlados e manipulados por uma sociedade secreta autodenominada Illuminati, e asseveram que muitas pessoas notáveis foram ou são membros dos Illuminati, como Winston Churchill, a família Bush, Barack Obama, a família Rothschild, a família Rockefeller, Zbigniew Brzezinski, o ex-presidente Lula, Fernando Henrique Cardoso, e até Dilma Rousseff e os papas Bento XVI e João Paulo II.

O presidente dos EUA Barack Obama assinou 11 folhas com 11 canetas diferentes. O número 11 é muito usados pelos illuminati
Em debate de 10/10/10 na Band, gesto feito com a mão direita pela atual presidente do Brasil é atribuído aos Illuminati

Encontro político em Minas Gerais de supostos membros illuminati

 Essas teorias conspiratórias dão conta de que grupos dissidentes dos Illuminati atuariam no Brasil desde a década de 1960, conhecidos como Os Aquisitores, os quais seriam supostamente o braço dos Illuminati, e que pretendem, através de métodos diversos, infiltrando-se em instituições tradicionais, como estabelecimentos de ensino, grupos religiosos, partidos políticos e associações de classe, consolidar o poder político e econômico no Brasil. Através de suas táticas eficientes, silenciam qualquer oposição, mesmo porque a ciência da existência de tais grupos, por parte da população, é quase nenhuma, se resumindo a pessoas que, por interesse ou curiosidade, pesquisam sobre conspirações e técnicas de dominação de massa. Eles estão vinculados aos Illuminati, Maçonaria ou ao Alto Clero da Igreja Católica, bem como a igrejas de diversas nuances.


Acredita-se que a origem dos Aquisitores está diretamente ligada a renúncia de Jânio Quadros e a instauração do Regime Militar no Brasil em 1964, pois o ex-presidente alegou que renunciaria devido a pressões exercidas pelo que ele denominou de “forças terríveis” (ocultas, na opinião dos teóricos). O nome dado ao grupo é uma referência a prosperidade financeira e a atuação de seus membros na economia do país, especialmente na região de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, onde sua influência resultou na próspera fase pela qual passou a região na década de 1970, no movimento metalúrgico e na posterior eleição de Luís Ignácio Lula da Silva à presidência do Brasil. Relevante salientar que nenhuma referência foi encontrada a esses grupos, seja nos livros de História, seja em quaisquer trabalhos acadêmicos, muito embora existam teorias que atribuam a eles o fato de Jango, Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda terem morrido de causas ainda não convincentemente explicadas num curto período de tempo, compreendido entre o final de 1976 e o início de 1977. Na cultura popular brasileira, encontramos referência clara aos Aquisitores na música “Forças Ocultas”, escrita por Marcelo Nova, do grupo Camisa de Vênus, e velada em algumas músicas de cunho político de Cazuza e Chico Buarque.

Bandeira de Cuba
Observe a pirâmide

Particularmente, não acredito que a pirâmide com o olho que tudo vê faça referência a Lúcifer, mas ao poderio da sociedade secreta em todas as esferas sociais, deixando evidente a sua capacidade em controlar tudo a sua volta, o que também faz alusão aos Estados Unidos, visto se tratar da maior potência mundial, e que a referência a Lúcifer seja atribuída ao alto clero da Igreja Católica e demais dissidentes cristãos que, na iminência de perder seus fieis, difamam as sociedades secretas, utilizando-se de personagens míticos e/ou religiosos para assustar os curiosos e desestimulá-los de aderirem a essas sociedades secretas.

Bandeira de Ohio-USA
 
Veja a pirâmide
O próximo post da série, passaremos a conhecer sobre a Maçonaria, visto que os dois primeiros capítulos desta série de estudos sobre o tema preocupou-se tão somente a distinguir os seus fundamentos e a sua finalidade das demais sociedades secretas, levando ao público a finalidade das diversas denominações existentes e que se opõem aos princípios maçônicos.

domingo, 16 de janeiro de 2011

DESVENDANDO OS SEGREDOS DA MAÇONARIA



PARTE I - ILLUMINATIS DA BAVIERA: A Origem



O Olho que Tudo Vê (símbolo Illuminati)

Este post inicia o resultado de um estudo realizado sobre a Maçonaria e os seus segredos, dividido em quatro partes. Espera-se, com isso, que as pessoas conheçam como se fundamentam e funcionam as sociedades secretas, distinguido mito de verdade, e que passem a ver a Maçonaria como uma instituição e não como um mistério, muitas vezes atribuído ao satanismo, atribuição essa divulgada pela Igreja Católica, temerosa que era de perder o poder para os membros da Ordem. Começaremos, conhecendo um pouco sobre a origem do Illuminati da Baviera - sociedade secreta fundada na Alemanha, em fns do século XVIII, resultado da junção dos ritos maçônicos com rituais pagãos e doses de ocultismo.

Os Illuminatis, ( do latim illuminatus, "aquele que é iluminado"), é o nome dado a diversos grupos, alguns históricos outros modernos, reais ou fictícios. Trata-se de uma Ordem secreta, que teve sua origem em 1090, criada por Hassan Isabbah - fundador da seita Ismaelita ou Haxixinos (que originou a palavra assassinos), devido ao uso do haxixe (do árabe حشيش hasheesh, derivado da planta Cannabis sativa). O grupo foi derrotado pelos mongois de Gengis Kan, tendo seus líderes fugido para o Ocidente, após espalharem o terror no mundo mulçumano.

Em 1º de maio de 1776, o maçom alemão de ascendência judia e formação católica e jesuita, Johann Adam Weishaupt (1748-1830), fundou em seu país a Sociedade dos Mais Perfeitos (Perfekbilisten) ou  "Perfeccionistas" - os Illuminati da Baviera - que passaria a representar os anseios e ideais compartilhados por maçons e rosacruzes. Weishaupt era graduado em Direito pela Universidade de Ingolstadt, onde, posteriormente foi professor titular de Direito Canônico e Decano da Faculdade de Direito. Em seus estudos, obteve preciosos conhecimentos sobre os ritos ditos pagãos e as religiões antigas, dando ênfase aos Mistérios de Elêusis e aos ensinamentos de Pitágoras. Daí, criou uma sociedade modelada nos conceitos do paganismo e nos mistérios ocultos.

Os Illuminatis da Baviera eram dirigidos por um conselho de Aeropagitas liderado por Weishaupt, que desempenhava essa função sob o pseudônimo de "Spartacus". A estrutura básica da sociedade era composta de três graus: I - Aprendiz (ou A Sementeira); II - Maçonaria Simbólica; e o III - Graus dos Mistérios. Os dois primeiros graus se subdividiam em outros três graus intermediários, enquanto que o III era dividido em Mistérios Menores e Maiores, que, por sua vez, também se subdividiam em graus intermediários, perfazendo o total de 12 estágios, começando em Noviço até o Grau XII, sob o título de Rex (Rei da Ordem). Desse sistema de graduação veio a estrutura básica de algumas ordens que hoje existem, como por exemplo, a organização Rosacruz, que possui 12 graus de templo, e uma das mais conhecidas ordens templárias hodiernas que possui o grau de Rex para a sua liderança. O grau de Noviço era tomado com a idade mínima de 18 anos, quando o novo aprendiz, por indicação de alguém de confiança da Ordem, tinha acesso aos Illuminatis, passando a receber sua primeiras instruções, para, só depois de passar por um período de provação de pelo menos um ano, ascender aos graus subsequentes.

Pirâmide da estrutura básica dos Illuminati
Os Illuminatis abriram lojas na Alemanha, Áustria, Itália, Hungria, França e Suíça, sob diversas denominações, como os Irmãos do Livre Espírito, os Rosacruzes, os Alumbrados, os Illuminés, os Martinistas, o Palladium... e, principalmente os Illuminati da Baviera. Embora as doutrinas desses grupos tenham sido variadas e por vezes contraditórias, a confusão entre eles tem sido muitas vezes mantida por seus adversários, e esta confusão levou às teorias de conspiração de uma sociedade secreta atuando através da história.

Em 1784, o governo bávaro baniu todas as sociedades secretas incluindo os Illuminati e os maçons. A estrutura dos Illuminati desmoronou logo, mas enquanto existiu, muitos intelectuais influentes e políticos progressistas se contaram entre os seus membros. Eles eram recrutados principalmente dentre os maçons e ex-maçons, e juravam obediência a seus superiores.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

HÁ UM BARCO ESQUECIDO NA PRAIA


"Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e ele tudo fará."
(Salmo 37,5)


          O 5º Capítulo do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas, nos dá verdadeiras lições de humildade e de fé, mais precisamente nos versículos 1 a 11, que fala sobre "A pesca milagrosa" (a escolha dos primeiros discípulos). Quando Jesus ensinava a multidão, junto ao lago de Genezaré, avistou dois barcos junto à praia do lago, e os pescadores - Tiago e João, filhos de Zebedeu, e Simão (Pedro), que, tendo descido deles, lavavam as redes. Jesus entrou no barco de Simão e pediu-lhe que o afastasse um pouco da terra, continuando a sua pregação, e, ao acabar de falar, mandou que os pescadores conduzisse o barco até o mar alto e que lançassem suas redes para pescar. Neste trecho, concluí que, assim como as redes que nenhum peixe prenderam naquele dia de labuta, são os nossos afazeres e instrumentos de trabalho, fazendo-nos aprender que as "coisas boas também podem ser ruins", dependendo da forma como as utilizamos e a finalidade que aplicamos a elas.

          Continuando, a partir do versículo 5, Simão se surpreende com a ordem do Mestre, por que já havia passado toda a noite tentando pescar e nada tinham apanhado, ao passo que, no despertar da fé, decidiu confiar na palavra de Jesus, ao dizer: "mas, sobre tua palavra, lançarei a rede". Iniciando a passagem incrédulo, Simão Pedro prova que a autossufiência é frustrante, ou seja, nos lançamos de tal forma às nossas habilidades profissionais, acreditando-nos senhores de nossas vidas, que, quando algo sai errado, ficamos desconsolados pensando ser o fim, que nada mais dá certo, que somos um fracasso. Mas, daí vem a fé de Simão, quando, mesmo com o insucesso da noite anterior, resolve lançar a sua rede ao mar, mostrando que "confiar em Deus é abrir mão das nossas certezas", é entregar-se plenamente, certos de que, somente com a graça do Pai é que podemos vencer as nossas lutas, viver com alegria e abundância. Que nada somos sem Deus.

          Quando aqueles pescadores veem a assobrosa quantidade de peixes que pegaram com suas redes, cuja quase levou o barco a pique, ficam maravilhados, e fazem sinal aos companheiros que estão em outro barco para que os ajudassem. E, vendo isto, Simão Pedro prostrou-se aos pés de Jesus e disse: "Senhor, afasta-te de mim que sou um homem pecador". Ora, meus queridos e minhas queridas, Jesus é tudo e nós nada somos. Ele é a nossa suficiência. Ao fim, Jesus diz a Pedro: "Não temas! De agora em diante serás pescador de homens"

          Eis o ministério da fé: pescar almas, arrependimento, angústias, e transformar tudo isso em fé, em celebração à vida, à glória de Deus, o Pai misericordioso que sempre tem um propósito para cada um de nós em águas mais profundas. Por isso, devemos sempre estar atentos a tudo o que ocorre a nossa volta, às nossas virtudes e nossas fraquezas, para que não nos frustremos, para que saibamos que, é na nossa fraqueza que fortalecemos. Busque o equilíbrio para a sua vida, não sendo menos nem mais em nada. Seja otimista sempre, reconheça as suas capacidades e procure sempre melhorar onde não se sente tão seguro; corrija os seus erros para que seja útil e merecedor dos frutos de seu trabalho. Quando for necessário, Deus vai mexer com as suas certezas e vai lhe fazer ponderar sobre o que você pensa ser, pois Ele é a suficiência das nossas vidas. Ótimo dia e feliz reflexão para você.