Após uma semana de intenso confronto entre as polícias civil, militar e federal – aliadas às forças armadas – e facções criminosas nas comunidades do Rio de Janeiro, a população fluminense parece respirar aliviada, sob a aparente sensação de que, agora sim, está livre do cárcere privado em que vivia há décadas.Incontestavelmente louvável as medidas adotadas pelo governador Sérgio Cabral e das equipes de segurança pública do Estado e do Governo Federal. A Segurança Pública conseguiu, enfim, limpar o morro e as favelas da Vila Cruzeiro, da Chatuba e o Complexo do Alemão de verdadeiros dejetos humanos que oprimiam os moradores destas comunidades, e estes eram forçados a servir aos chefes do tráfico para escaparem da justiça paralela que se lhes impingiam, e, consequentemente, da execução sumária do “manda quem pode, obedece quem tem juízo”.
Acompanhei a operação policial deflagrada no Rio pela televisão e internet, e vi o aparente bem-estar que as pessoas imprimiam às lentes das câmeras de reportagem. O domínio territorial das quadrilhas de traficantes nas comunidades fluminenses ha muito tempo já se mostrava insustentável e inadmissível. Não podemos mais viver no império do medo e nem aceitar que as pessoas vivam à mercê desses grupos criminosos, sustentando a covardia e o bem-querer de vagabundos perversos que se alojaram no cotidiano de cidadãos dignos como parasitas sugando seus hospedeiros, e impedindo a realização de obras que beneficiem a população.
A melhor imagem que vi neste ano, foi a do fracasso do tráfico na Vila Cruzeiro, onde os bandidos fugiam desesperadamente. A mazela da sociedade saiu em debandada ao ver que não dispunha mais de seu quartel-general e do subsistente “mercado financeiro” para comercializar o infortúnio àqueles que vivem como gente de verdade.
Acompanhei a operação policial deflagrada no Rio pela televisão e internet, e vi o aparente bem-estar que as pessoas imprimiam às lentes das câmeras de reportagem. O domínio territorial das quadrilhas de traficantes nas comunidades fluminenses ha muito tempo já se mostrava insustentável e inadmissível. Não podemos mais viver no império do medo e nem aceitar que as pessoas vivam à mercê desses grupos criminosos, sustentando a covardia e o bem-querer de vagabundos perversos que se alojaram no cotidiano de cidadãos dignos como parasitas sugando seus hospedeiros, e impedindo a realização de obras que beneficiem a população.
A melhor imagem que vi neste ano, foi a do fracasso do tráfico na Vila Cruzeiro, onde os bandidos fugiam desesperadamente. A mazela da sociedade saiu em debandada ao ver que não dispunha mais de seu quartel-general e do subsistente “mercado financeiro” para comercializar o infortúnio àqueles que vivem como gente de verdade.
Porém, insatisfeito com as imagens e a poesia sangrenta dos telejornais, conversei com moradores do Estado do Rio de Janeiro, através da internet e por telefone celular, e pelo que constatei, o conflito real vai muito além das edições fantásticas e heroicas expostas pela mídia, no afã de vender a imagem de um heroi nacional inexistente, com a única finalidade de suprimir a imagem negativa que o Rio de Janeiro sustenta aqui e fora do Brasil.Sabe-se que a cidade tem que ficar pronta e pacífica para os grandes eventos esportivos que acontecerão - a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. E, independente do tráfico e das balas perdidas, esses eventos certamente serão um verdadeiro sucesso. O brasileiro é perfeito na realização de folias, além do que é improvável que não sejam injetados altos recursos nos jogos logo em ano de eleições majoritárias a nível federal, em 2014, e para Prefeito em 2016.
Agora, que foram expulsos das favelas, os traficantes que sobreviveram e não foram capturados, vão, certamente, ocupar e dominar outras comunidades, menores, mais frágeis, longe do interesse do Estado por ficarem fora da rota turística das atrações dos citados eventos esportivos que ocorrerão na cidade do Rio.
A população ainda teme que os chefes que não foram encontrados, na verdade não o tenham sido por mera conveniência para os interesses de certas esferas do poder público, haja vista esses líderes terem se tornado, ao longo dos anos, verdadeiras caixas-pretas quando se trata de arranjos políticos, visto ser público e notório que muitos dos acertos eleitoreiros são celebrados nas vielas das favelas, com a associação e conveniente autorização dos chefes dos morros.
Noticiou-se também que alguns policiais agiram truculentamente ao abordar moradores, mesmo depois do domínio policial. Saquearam casas e lojas, "tocaram o terror" abusando de mulheres, como se quisessem ser notados e marcar território.
Há um evidente receio por parte da população de que os marginais ocupem áreas de favelas na região metropolitana do Rio, como Niterói, São Gonçalo e adjacências, dominando novas áreas sob o aval dos que ditam as regras políticas e sociais, como quem diz “não atrapalhando a realização dos jogos nem os nossos interesses políticos, eles podem usar a parte do Rio que quiserem”. Outro temor da população é a existência das milícias incrustadas nas corporações, sob a falsa insígnia de policiais honestos e disciplinados.
Noticiou-se também que alguns policiais agiram truculentamente ao abordar moradores, mesmo depois do domínio policial. Saquearam casas e lojas, "tocaram o terror" abusando de mulheres, como se quisessem ser notados e marcar território.
Há um evidente receio por parte da população de que os marginais ocupem áreas de favelas na região metropolitana do Rio, como Niterói, São Gonçalo e adjacências, dominando novas áreas sob o aval dos que ditam as regras políticas e sociais, como quem diz “não atrapalhando a realização dos jogos nem os nossos interesses políticos, eles podem usar a parte do Rio que quiserem”. Outro temor da população é a existência das milícias incrustadas nas corporações, sob a falsa insígnia de policiais honestos e disciplinados.
A flexibilidade da mídia é patética, porém preocupante. O tom suave e cinematográfico, orquestrado pelos telejornais, disfarçam o verdadeiro problema do Rio de Janeiro, já que não é a solução do conflito que vai resolver o problema da insegurança dominante mas como fazer a manutenção da segurança pública no Estado. Prova disso são as entusiasmadas declarações da presidente eleita ao dizer que as tropas do Exército ficarão no Complexo de Favelas do Alemão até 31 de outubro de 2011. Fazendo o quê? Um produto similar à fracassada Missão de Paz do Haiti e Timor Leste? Provavelmente.
Ora, a tomada do controle pela operação militar não saiu exatamente como fora planejado. As coisas foram acontecendo por vontade de Deus e da população carioca, porque, se fosse como estava no papel, a Administração Pública já saberia o que fazer daqui pra frente, e não estaria trancada em gabinetes com o presidente e a sua sucessora para definirem os rumos da segurança pública a partir do momento que assumiram o controle. E, com isso, não se vê nenhum investimento reflexivo e consistentemente informativo após a crise em questão.
Posso dizer com segurança que as informações dadas na última edição do Jornal Nacional em relação às declarações dos Governos Federal e Estadual se mostram totalmente desprovidas de certeza, pois não há o que fazer de imediato para obstar a violência e estabelecer a segurança, quando os governantes e a própria sociedade não estão tratando o problema no seu aspecto multidimensional, achando que tudo pode se definir num curto prazo.
Posso dizer com segurança que as informações dadas na última edição do Jornal Nacional em relação às declarações dos Governos Federal e Estadual se mostram totalmente desprovidas de certeza, pois não há o que fazer de imediato para obstar a violência e estabelecer a segurança, quando os governantes e a própria sociedade não estão tratando o problema no seu aspecto multidimensional, achando que tudo pode se definir num curto prazo.
A pergunta a ser feita é: "" O que fazer para vencer o tráfico de drogas?" Vencer certamente será impossível, sendo o tráfico um meio lucrativo e de extremo interesse para os que fazem mau uso das políticas públicas. Acredito que impedir que os policiais continuem traficando e que se associem aos traficantes de drogas, reproduzindo o pior do tráfico sob a forma mafiosa de milícias dominando territórios, já é um bom e eficiente começo.
Atenção, senhores leitores! Não acreditem no jornalismo romântico que prega a falsa polaridade polícia versus bandido, pois no cenário real brasileiro na há como distinguir um do outro, uma vez que, não generalizando, a banda podre da polícia está presente em todo tipo de ação criminal que acomete o Rio de Janeiro. E quem paga o preço – e muito alto – do luxo exacerbado da famigerada milícia somos nós que compomos a sociedade, e aí se incluam os bons policiais, que honram a farda e o distintivo, arriscando suas vidas por um salário indigno e miserável.Portanto, para que a ação governamental surta o efeito desejado no combate contra o tráfico, urge que as polícias sejam melhor preparadas e haja uma valorização salarial capaz de extinguir de uma vez por todas a opção do segundo emprego como renda complementar para os policiais sustentarem suas famílias. Igualmente urgente que os policiais sejam eficientemente monitorados e, declarada a suspeição de qualquer deles, deve ser instaurado o competente processo disciplinar para punir os envolvidos com o crime, de forma exemplar e, se insuficiente a medida, dê-se de uma vez por todas a sua expulsão da corporação a quem pertencerem.
Há muito se vislumbrava que o tráfico já não seria mais capaz de se sustentar, competindo com as milícias, pois o modelo de domínio territorial por aqueles adotado, é dispendioso e retrógrado, e vinha gradativamente sendo sufocado pelas políticas sociais assistencialistas. Os milicianos podem dispor do status de policiais, contam com armas e veículos gratuitos, têm o poder do Estado a seu favor, podendo usar sua autoridade para sobrepor as pessoas, e ainda, forçar os chefes das quadrilhas a dividirem com eles (policiais corruptos) os ganhos com a venda de drogas que, no caso dos milicianos, não é a única mercadoria comercializada, mas um dos vários produtos de sua carteira de negócios – somada à venda de aparente segurança pública, internet e TV a cabo clandestina, entre outros.
O modelo de tráfico adotado pelas facções somente se manteve até hoje pela simples cooperação da milícia incubada no seio da polícia, na medida em que os policiais sedentos de rendimentos maiores, face os baixos salários pagos pelo Estado, aderiam ao lucro fácil que a metodologia da “vista grossa” lhes permitia. Agora, os traficantes que fugiram procurarão outras comunidades ansiosas pelos prazeres que o vício pode lhes permitir, provavelmente eclodirão novos atentados isolados, mas violentos, em diversas outras metrópoles brasileiras, como forma de desarticular o já desarticulado poder estatal que tenta desesperadamente estabelecer a segurança, e, consequentemente, as milícias tomarão para si o domínio das áreas anteriormente controladas pelo tráfico, disfarçada por uma falsa demonstração de segurança, impondo o imperativo da lei do silêncio.
É difícil imaginar que uma polícia que defende o Estado ao invés da cidadania, e trata ricos e pobres, administradores e administrados de forma distinta, seja capaz de proteger o cidadão e ajude a garantir a segurança pública, quando a sua formação é, por excelência, pautada nos ditames da obsoleta ditadura militar que já dominou o país. Também não é mantendo os militares das forças armadas nas ruas que vamos ter a tão almejada paz, visto que não foram treinados e nem são equipados para esse fim. Há bem pouco tempo soldados e oficiais do Exército se envolveram em escândalos violentos desnecessários em comunidades pobres da capital fluminense.
Cada unidade militar federal poderia – e deve – ajudar exercendo cada qual a sua função específica. O Exército pode manter o controle do fluxo de armas no país, a Marinha com uma guarda costeira que funcione efetivamente no controle de armas transportadas clandestinamente ou desembarcadas nos portos, e a Aeronáutica, identificando e destruindo pistas de pouso clandestinas, controle do espaço aéreo e apoio à Polícia Federal na fiscalização de cargas aeroportuárias. E, finalmente, todas as forças federais num trabalho conjunto de controle e vigilância das fronteiras, identificando e excluindo, inclusive, os agentes corruptos de suas fileiras.
Se não for melhor, será ao menos razoável que os telejornais comecem a tratar seus telespectadores como pessoas racionais, capazes de diferenciar a realidade da violência urbana que se instalou e deixe de tratá-las como se elas estivessem em uma sala de cinema acreditando que estão assistindo ao último episódio de uma provável trilogia de Tropa de Elite. Violento ou não, o Rio de Janeiro continua lindo, as pessoas continuam perplexas, o poder público, embora disfarce bem, continua apático à situação no seu contexto real e os meios de comunicação continuam tratando seus telespectadores como reles produtos que pensam ser capazes de produzir.


3 comentários:
Essa atitude do governo carioca a que chamo de "Limpeza" só aconteceu pq estamos na vitrine global com as olimpíadas e a Copa do Mundo. O Rio é cenário principal desses eventos. No cartão-postal do RJ não pode ter traficantes. Só espero que após os eventos a conivência com o tráfico nao volte a fazer das favelas cariocas. Que o governo do Rio intensifique as ações de forma permanente.
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