Em um milaborante e infundamentado processo tramitado na Comissão de Anistia, a União Nacional dos Estudantes (UNE), recebeu indenização do governo federal no valor de R$ 44,6 milhões, dos quais R$ 30 milhões já está disponível na conta da instituição, ficando o restante para o orçamento do próximo ano. A farra com o dinheiro público - que nós, pobres brasileiros, juntamos a rodo para que o governo desperdice ao seu bel prazer - neste caso, será destinado à construção da nova sede de 13 andares da UNE, de acordo com o projeto do arquiteto Oscar Niemayer, no mesmo endereço da anterior no número 132 do Aterro do Flamengo, um dos locais mais caros do País. Não se engane, quem pensa que a farra do real acabou, pois o presidente Lula ainda tem muito a fazer até o dia 31 de dezembro, e tudo - como aconteceu com a autorização do pagamento da milhionária indenização - na surdina, quando a classe trabalhadora à qual ele fingia fazer parte dorme cansada da labuta diária. Só de propaganda para exaltar seu ego, o Calígula do mundo contemporâneo - pois, se é que reencarnação existe, o nosso presidente é o próprio - já investiu R$ 20 milhões em sua campanha de despedida veiculada em 325 meios de comunicação.É um absurdo que tanto dinheiro seja desperdiçado em tamanha vergonha para a nação brasileira, quando o aparelho comandado pelo PC do B nem sabe ainda como administrará tantas salas, visto que mal ocupa um único andar com as suas "ocupações", como afirma o próprio presidente da entidade, Carlos Chagas. Sabe-se que o prédio contará com salas de cinema, teatro e do museu Memória do Movimento Estudantil. Não entendo porque não construir um prédio com as mesma medidas que o antigo, que foi metralhado e incendiado pelas tropas legais durante o período de ditadura (1964-1985), quando há centenas de famílias aguardando até hoje a modesta pensão mensal correspondente a três salários mínimos, além de uma indenização retroativa de menos de R$ 100 mil para recomposição patrimonial, referentes à reparação devida àqueles que foram apanhados no fogo cruzado entre guerrilheiros (muitos do PC do B, ligados à UNE) e as forças de repressão na tão mundialmente afamada e repudiada Guerrilha do Araguaia.
A indenização a ser paga às famílias dos camponeses exterminados no Araguaia já foi aprovada há mais de um ano, mas o benefício foi suspenso através de liminar concedida pela Justiça Federal do Rio de Janeiro em ação popular movida por um deputado carioca. Já a UNE teve mais sorte, com o advento da Lei nº 12.260, de iniciativa do Executivo Federal e aprovada pelo Congresso Nacional em junho passado, permitindo a reparação, sob os auspícios do presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, e do Secretário Nacional da Juventude, ligado à Secretaria-Geral da Presidência, Beto Cury. Afirmam com um orgulho desprezível, estes senhores, que a "justa" indenização é defensável tanto do ponto de vista histórico quanto jurídico, pois "o caso da UNE, a agressão transpassa o dano individual, pois todo brasileiro estudante na ditadura foi subtraído no seu direito representativo. Aquele incêndio simboliza tudo o que foi ceifado em termos estudantis no país". E, acrescenta, Paulo Abrão: "A nova sede será uma referência cultural dos tempos pré-64 e simbolizará a retomada do protagonismo do movimento estudantil da nação".
De que direito representativo ele está falando, quando milhões de estudantes padecem no país sem nenhuma representatividade que o valha por parte da entidade? E o que foi ceifado em termos estudantis, quando a entidade acaba de dar destino a uma verba que ceifará ainda mais a falida educação pública? E de que protagonismo este cidadão está falando? A UNE nunca protagonizou qualquer representatividade na luta contra a ditadura, quando apenas deu proporções maiores à ilegalidade submergindo pobres estudantes que inocentemente acreditaram nas pregações carregadas de segundas intenções da cúpula do PC do B, aliada ao PT da era mansa do companheiro Luiz Ignácio. Também, de todas os danos causados pela repressão durante a ditadura militar, não conheço em toda a história do país, maior injustiça que a causada aos agricultores do Araguaia. E, para fechar com chave de ouro, a falta de vergonha em jogar o dinheiro público no lixo, o presidente Lula estará lançando amanhã, às 17h no local em que será construída a nova sede, a pedra fundamental da obra, com a presença de autoridades, artistas e intelectuais de todo o país. A construção tem previsão de início no primeiro semestre de 2011 e término em 2013. Esta deve ser uma das farras públicas de despedida do presidente, acompanhado de sua alcatéia. Muitas ainda serão realizadas até que a sua afilhada o substitua em 1º de janeiro próximo.
A medida tomada pelo governo abre um precedente para a indenização coletiva a outras entidades civis, religiosas e políticas que também sofreram perseguições nos anos da ditadura, desde que sigam o mesmo caminho percorrido pela UNE. Porém, acredito que nem todas terão a mesma sorte, dependendo do partido político que as representem.
Ao contrário do que disse o senhor Paulo Abrão, o Brasil não está ganhando mais um patrimônio histórico de um ícone da arquitetura mundial, pois para reviver a funesta UNE basta recorrer à história, e o talento indescritível de Oscar Niemayer poderia e deve ser aproveitado para obras mais nobres e de interesse da nação. Também não creio que a obra faraônica causará inveja ao mundo, mas vergonha ao Brasil, como está causando o fato de o Brasil ter sido condenado pela OEA, devido à horripilante guerrilha do Araguaia.Lula fez muitas coisas boas, durante o seu reinado, disso não há a menor dúvida, mas, as suas atitudes causaram muito constrangimento aos seus administrados - que o diga os documentos secretos dos EUA divulgados no site Wikileaks. É inadmissível que tenhamos que ajudar os mais necessitados com as sobras dos nossos ínfimos salários minimíssimos, enquanto o presidente brinca de Sílvio Santos e faz a distribuição do que não dispomos no erário, ainda mais nesta época do ano e em fim de mandato. Que o Brasil não se esqueça de todas essas farras petistas quando este esperto semiletrado quiser voltar a nos governar.
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