quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O AMOR QUE TU ME TINHAS - ANÁLISE INTROSPECTIVA DO VERDADEIRO AMOR

Desde a criação do Blog, muitos leitores me escreveram sugerindo postagens sobre o tema "desilusão amorosa". Respondendo os muitos e-mails recebidos, eu lhes perguntava o que tinham a dizer sobre suas desilusões, e eles demonstravam dificuldade em responder a respeito do assunto. Com isso, acabei percebendo que eu sentia a mesma dificuldade, e então resolvi fazer uma pesquisa sobre o assunto, pelo que, para a minha surpresa, descobri as resposta - se é que posso assim dizer - dentro de mim mesmo, através de profunda introspecção realizada numa noite de mais uma desilusão.

Fiz uma retrospectiva dolorosa - uma verdadeira via crucis - dos amores que permearam a minha vida até os dias atuais, e descobri que, na maioria das vezes, fui eu mesmo que dei causa às muitas das desilusões que sofri. Esperei muito dos outros o que não poderia esperar nem de mim mesmo. À distância de alguns amores, hoje vejo que me fechei a ótimas propostas que em dado momento eu julgava não serem o que pareciam ser, e fugi de amores que agora sei que eram verdadeiros, simplesmente porque tive medo de sofrer, e sofri por antecipação.

O engraçado é que, quando encontramos alguém que nos cativa, nos abandonamos de tal sorte irresponsavelmente, que queremos de todo jeito que a dita pessoa preencha o buraco que nós cavamos dentro de si, e passamos a exigir dela tudo aquilo que não temos a capacidade de nos dar, pelo contrário, damos ao outro tudo o que podemos e temos para si, e, insanemente, esperamos um reconhecimento, uma compensação que nunca virá, pois, o amor verdadeiro dá sem querer nada em troca, se satisfaz por não receber. E, como sabiamente disse São Paulo, em sua epístola aos Coríntios, o amor tudo suporta, tudo sofre, tudo espera, tudo crê.

Vivi muitas experiências amorosas, e em todas amei verdadeiramente e com grande intensidade. E, sem dúvida, isso é um dos maiores prazeres da vida. Como é bom sentir os batimentos cardíacos acelerarem quando o ser amado se aproxima, vindo em nossa direção. É uma sensação indescritível. Nada no mundo é capaz de se equivaler a essa sensação. Os nossos olhos emitem um brilho que não se vê em qualquer estrela à noite.

O nosso erro ao amar, é que condicionamos o amor às nossas necessidades neuróticas e acabamos com ele. Perdemos até mesmo o amor próprio. Jogamos, erroneamente, na pessoa pela qual nos interessamos a total responsabilidade em suprir as nossas carências, nos entregando a um total abandono, que, no final, a insatisfação que causamos a nós mesmos cria um vazio interior que culmina na busca incessante de novos relacionamentos, cujos resultados frustrantes sempre se repetirão. Acredito que a causa disso é o fato de querermos ser amados quando não nos amamos, queremos ser compreendidos quando não nos compreendemos, e damos à pessoa a quem endeusamos o apoio que mais precisamos. A falta de amor prórpio é o pior de todos os males que podem acometer um ser humano.
 
 Se uma pessoa não se ama, não procura fazer sua própria felicidade, não conseguirá jamais amar verdadeiramente outra pessoa. Ela vai estar continuamente se apaixonando, mas, amor de verdade não conseguirá dar nem ter. Já a pessoa que se ama de verdade irradia um fluxo de energia especial que se expande sobre as demais pessoas com quem convive, até mesmo as que ela não conhece, quando se aproximam, sentem um calor ou um sentimento de amor, sente vontade de ficar ao seu lado, de conversar, estreitar laços de amizade. Quem se ama só lembra do passado como experiência para a sua evolução, tirando proveito dos acontecimentos ocorridos, sem vivenciá-lo, sem dar proporção às dores da alma, causadas pelas desilusões. E, acreditem, já foi provado cientificamente que dor de amor mata.

Você só estará realmente pronto para amar e receber amor de alguém quando experimentar o amor próprio, não esperando ser compreendido, mas compreendendo as pessoas de um modo geral, mantendo-se de bem com a vida e não se preocupando com a opinião alheia, pois se dermos ouvidos às críticas elas só evoluem. Absorvendo Zíbia Gasparetto, cada um é o único responsável pelas suas próprias necessidades. Só quem se ama pode encontrar em sua vida um verdadeiro amor. Cuide-se bem para ser capaz de cuidar bem do seu amor.

0 comentários:

Postar um comentário