Estreou, nesta última sexta-feira, o terceiro filme da série “As Crônicas de Nárnia – A viagem do Peregrino da Alvorada”, baseado na obra de C. S. Lewis. O primeiro da série pela Fox tem direção de Michael Apted (007 – O mundo não é o bastante) e é lançado em cópias planas e 3-D, com versões dubladas e legendadas. Neste capítulo, Lúcia (Georgie Henley) e seu irmão Edmundo (Skandar Keynes), junto com o irritante e mimado primo Eustáquio (Will Poutler), entram num quadro que mostra um navio no mar – o Peregrino da Alvorada – e embarcam com o Príncipe Caspian (Ben Barnes) e o ratinho Ripchip, enfrentando feras do mar, dragões, sereias, anões, guerreiro cruéis e um gigante chamado Tritão, para reunir as espadas dos sete lordes. Suzana, a irmã mais velha, não aparece neste capítulo, e sua ausência se justifica pelo amadurecimento dos personagens, tendo ela deixado a fantasia do mundo de Nárnia após assumir interesses estéticos.Nesta adaptação, o livro assume uma maturidade que às vezes não funciona, pois traçar um paralelo convincente entre dois mundos opostos e complementares com suas peculiaridades próprias e personagens míticos exige técnica e narrativa que não se obtêm facilmente. A impressão que o filme deixa é a de que tudo acontece de forma acelerada, sem o tempo necessário para que sejam trabalhadas as relações entre os personagens e os ambientes em que se situam. Os conflitos isolados mantêm um elo frágil entre a narrativa principal, o que faz com que o roteiro deixe a desejar por tamanha ineficiência. As batalhas travadas, a caracterização dos personagens, a fotografia e a trilha sonora nos remete à trilogia “O Senhor dos Anéis”, pecando também na qualidade dos efeitos especiais, porém melhorados na sua qualidade final em alguns momentos que demonstram apurado senso estético. As cenas do portal de entrada para o mundo de Nárnia e o retorno ao mundo humano são visualmente espetaculares, assim como a cena em que o navio desliza sobre um mar de flores brancas que, em determinado ponto, parecem ser estrelas.
A presença de elementos cristãos que nos remetem aos livros de Lewis está mais perceptível do que nos dois filmes anteriores. A inserção de mensagens bem colocadas entre os detalhes da saga e a rejeição por qualquer tentativa de didatismo religioso merecem ser destacadas. De todas as guerras travadas pelos protagonistas, a pior delas é o inimigo interno, pois, na medida em que Edmundo continua tentando resistir às tentações da feiticeira branda (Tilda Swinton), Lúcia encara os conflitos inerentes à adolescência, quase se deixando perder pela inveja ou pelo ciúme. E, como sempre, o leão Aslam, como a entidade superior de Nárnia, representa o divino, a sabedoria.
Em suma, vale à pena assistir à película que entre os erros e acertos da equipe cinematográfica, resulta em um saldo positivo, abrindo caminho para o quarto filme da saga intitulado “A Cadeira de Prata”, que poderá ainda apresentar um bom ou razoável resultado. Porém, não acredito muito que haverá quem seja tão criativo a ponto de levar as três obras restantes às telonas.
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