terça-feira, 7 de dezembro de 2010

VASELINA PARA HIDRATAR?


Começo o dia de hoje ainda consternado com o falecimento da adolescente de 12 anos, Stephanie dos Santos Teixeira, devido a um erro cometido por uma auxiliar de enfermagem que, na última sexta-feira, teria aplicado vaselina na corrente sanguínea da vítima, em lugar de soro fisiológico.
Relata o Boletim de Ocorrência registrado pelo pai da garota, que, ela tinha sido internada por volta das 15h daquele fatídico dia, no Hospital São Luiz Gonzaga, apresentando dores abdominais, diarréia e vômito, e vindo a óbito na madrugada do sábado, após ser transferida para o Hospital da Santa Casa de Misericórdia, em São Paulo. Consta, ainda, que após receber duas bolsas de soro, a garota apresentou melhora do quadro clínico e a médica já preparava a sua alta, quando uma auxiliar de enfermagem substituiu o soro por uma bolsa de vaselina líquida, que levou a garota a ter espasmos e passar mal, sendo transferida logo em seguida, mas, depois de sofrer sete paradas cardiorrespiratórias, infelizmente, não resistiu e morreu pouco mais da mei-noite.
E assim caminha a humanidade, esperando que mais e mais crianças sejam vítimas de absurdos erros médicos, sem qualquer punição exemplar para os casos ocorridos. Não se trata, o caso em tela, de um fato isolado, pois todos os dias ocorrem erros médicos em muitos hospitais do país, e a maioria deles nem é revelada, porque os pais, por serem leigos, deixam de denunciar as execuções sumárias de seus pequenos por acharem que não vai dar em nada ou por que nada poderia trazer seus rebentos de volta. Não preciso ir longe para destacar dois casos recentes que aconteceram num hospital da região agreste do Rio Grande do Norte, quando no ano passado, uma criança apresentava dores de cabeça e, após medicada, veio a óbito. No outro, já neste ano, uma jovem de nome Luciene foi rispidamente despachada pelo médico do plantão, quando estava prestes a dar à luz seu primeiro filho, e, voltando para casa porque, segundo aquele “doutor”, ainda não era tempo de dar à luz, acabou sendo levada à Capital do Estado devido a complicações no parto. A mãe sobreviveu, mas seu filho, infelizmente não. Vi muita dor nos olhos daquele casal, e a minha alma se indignou por isso.
No final de maio deste ano, também fui vítima da falta de competência de uma médica plantonista deste mesmo hospital, que, após haver me medicado aleatoriamente, acabei sofrendo um AVC que resultou em cirurgia cardiovascular pelo fato de ela afirmar que eu não tinha nada. Nós, que dependemos do SUS, temos que pagar altos salários a estes covardes, que usam de uma bata branca e de uma credencial de salvadores de vidas humanas, para, na verdade, cometer assassinatos em série. Não quero, com isso generalizar e dar aos bons profissionais da saúde o título que nem todos merecem, pois sou testemunha de que muitos são excelentes profissionais e que devotam toda a sua vida em prol dos mais necessitados. Porém, também conheço médicos que não sabem nem mesmo receitar corretamente. E quem não conhece ao menos um?
No caso em apreço, a Santa Casa quis justificar o injustificável ao alegar que a auxiliar de enfermagem pode ter se enganado ao trocar os produtos dada a semelhança dos frascos que os continham. Nossa! O que fez essa “salva-vidas” no curso preparatório que a formou? Gente, tudo bem que os frascos sejam idênticos e os líquidos de ambos os produtos são incolores, mas todo produto hospitalar tem etiqueta que o identifica e informa a sua finalidade, e com esses não é diferente. Além do mais, eles têm finalidades totalmente diferentes, pois o soro é usado para aplicação na veia do paciente com desidratação, por exemplo, entre outras finalidades; já a vaselina, que, ao contrário do soro, é oleosa, é aplicada em queimaduras ou como lubrificante de aparelhos na realização de exames médicos, como em sondas.
Ademais, ao preparo dessa infeliz postulante a profissional de saúde, certamente não faltaram explicações sobre o uso e a conduta das medicações e dos utensílios hospitalares. Portanto, a mesma deve responder, conjuntamente com a equipe daquele plantão – já que é da competência do médico de plantão supervisionar as atividades de seus subordinados –, por crime de homicídio culposo, e merece a família ser indenizada pela Direção do Hospital, por ser medida da mais salutar justiça e como exemplo cabal para casos semelhantes com o intuito de que não venham mais ocorrer erros dessa natureza. Aliás, para não ser nem um pouco generoso, pois também sou pai, caberia, sim, a acusação de homicídio doloso, pois, se uma pessoa se forma para exercer determinada função, automaticamente estará assumindo o risco que possa sofrer o paciente que se encontra sob seus cuidados.

1 comentários:

Anônimo disse...

o caso mostrado não trata-se de um erro médico, como tratam no post, mas sim um erro da equipe que o acompanha, onde esta equipe é selecionada pela direção e coordenação do hospital, e não pelo medico, que por sinal também passa pelos critérios avaliativos. O erro cometido pela auxiliar está além da responsabilidade do médico, pois cada um tem uma função específica no que se refere a um serviço multiprossii]onal.

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