quarta-feira, 30 de março de 2011

O BBB MARIOU

Não surpreendeu o resultado da 11ª edição do reality Big Brother Brasil, já que não se estimava com considerável expectativa um favorito ao prêmio de R$ 1,5 milhão e os três finalistas dividiam a preferência do público em ganhar a bolada.

Mas, o que mais me surpreendeu esta manhã foi ver a apresentadora do programa Mais Você induzir o seu público que a falsidade é sempre a melhor estratégia de jogo para obter o que se deseja. Sem qualquer pudor, Ana Maria já abriu o programa afirmando que o pernambucano Daniel só não venceu o BBB por não ter conseguido segurar a língua e ter sido sincero na reta final do programa. Em suas palavras, ela citou algo que um seu antepassado falava, se é que falava isso mesmo, sem sequer saber dizer a quem se atribuia a autoria da seguinte máxima: "Você pode enganar muita gente por muito tempo, mas não pode enganar todo mundo o tempo todo".

Ao apresentar as cenas editadas da casa mais famosa e mais fútil do Brasil, a apresentadora global disse que o pernambucano se perdeu já no final, falando o que não deveria, e arrematou: "Está vendo? O Wesley ficou caladinho, na sua, e chegou ao segundo lugar. Se você tivesse feito o mesmo, teria ganhado o prêmio". A maneira com que ela dosou suas palavras, incutiu a ideia de que, para se chegar onde se quer, necessário se faz "engolir sapos", fingir que concorda com tudo e se fazer de bonzinho para ganhar a confiança dos outros. Vai ver que é por isso que ela está onde está.

Que o Wesley aparenta ser uma boa pessoa e que o Daniel tenha adquirido uma autoconfiança excessiva, tudo bem. Isso ficou muito claro diante da sua cara de decepção na saída da casa. Mas, o que fez de tão especial a Maria, além de falar asneiras e pagar peitinho? E olhe que estamos falando de uma atriz, que, somada aos três últimos vencedores nos leva a refletir como é feita essa apuração de votos pela emissora. Embora se fale muito, e há muitos anos, sobre a manipulação do vencedor pela produção do programa, eu custo a acreditar em tamanha desonestidade. Mas, se Daniel pecou por excesso, temos que admitir que Wesley pecou por omissão?

Enfim, temos mais um milionário no Brasil - no caso, uma milionária -, às custas das contribuições de gente que muitas vezes nem tem o que comer, quando a Globo fatura, além dos anúncios de seus patrocinadores, cerca de mais de R$ 8 milhões por cada paredão, só com as ligações e torpedos dos telespectadores que votam para eliminar um dos emparedados, o que daria para construir centenas de casas populares e alimentar milhões de pessoas.

Mas, o que me alegra de verdade, é que nos livramos da banalidade que é o BBB, pelo menos pelo resto do ano, e das panaceias ditas por Pedro Bial, que esboça o início de sua decadência profissional, atribuindo a qualidade de herois a seres que invadem as nossas casas com o pior que um ser humano pode oferecer, impondo à sociedade a desmoralização da família e ainda dizendo que tudo é bonito. Merecemos o mínimo de decência nas nossas noites. Ah! Já havia esquecido por que Bial age assim. Os seus ídolos morreram de overdose, por isso a sua concepção de heroi é distorcida.

Realmente, o BBB, que começou inocente, aprazível e gostoso de se ver no início dos anos 2000, regrediu e, finalmente, mariou.

1 comentários:

Felipe Andrade disse...

O "Fim do BBB 11" seria apenas uma boa notícia não fosse o efeito colateral: soltos por aí existem agora exatamente 169 ex-BBBs kkkkkkk Valeu Edu, seu Blog está muito bom. Parabéns!

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