terça-feira, 22 de março de 2011

O QUE É QUE O OBAMA QUER?


 "Onde a luz da liberdade brilha, todo o mundo se torna mais brilhante. É o exemplo do Brasil."
 (Barack Obama)

Encarei com certa desconfiança a visita do presidente norte-americano Barack Obama ao Brasil, especialmente pelo sigiloso teor dos dez acordos firmados entre este e a presidente brasileira Dilma Rousseff, sob a égide de ampliar o intercâmbio entre os dois países e alavancar a economia brasileira na relação comercial entre ambos.

Obama chegou ao Brasil no sábado 19, reuniu-se com a presidente Dilma, em Brasília, onde discursou na sede do governo brasileiro para políticos e empresários, almoçou picanha com baião-de-dois, e, no domingo pela manhã visitou a Gávea, no Rio de Janeiro, onde recebeu de presente das mãos da presidente do Flamengo Patrícia Amorim uma camisa do time mais querido e de maior evidência na atualidade desportiva brasileira, seguindo mais tarde para a Cinelândia, no centro do Rio, onde falou a um público seleto no Teatro Municipal. No domingo visitou a favela Cidade de Deus, onde, em companhia da primeira dama Michelle Obama, assistiu a apresentações culturais dos projetos sociais desenvolvidos na comunidade.

O presidente dos Estados Unidos reconheceu o Brasil como um dos líderes mundiais e sinalizou a possibilidade de apoiar o governo brasileiro na integração do país como membro permanente no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), afirmando que tem "apreço" pela pretensão brasileira nesse sentido.

Mas, como bem sabemos, todo apreço tem um preço, e o real interesse dos Estados Unidos no Brasil se mostrou patente no discurso do presidente, quando revelou que tem interesse em adquirir petróleo brasileiro e trocar tecnologia para as pesquisas do pré-sal. Ora, para quem atualmente mantém relações comerciais para a compra do "ouro negro" com países árabes, nada melhor do que um país pacífico como o nosso, verdadeiro exemplo para as nações cuja população luta contra governos autoritários e despóticos.

Vê-se de longe que o grande foco da visita do líder da maior nação do mundo é a perspectiva de investimentos em energia e infraestrutura, sendo a ampliação do intercâmbio entre os dois países um marco importante para a rápida recuperação do mercado norte-americano pós-crise e com taxa de desemprego em torno de 9%. O saldo atual do comércio bilateral Brasil-Estados Unidos é favorável ao segundo, visto que importamos mais do que exportamos, resultando numa diferença de cerca de US$ 8 bilhões a favor do país do Tio Sam.

É visível a nossa necessidade de agir com inteligência e estratégia na nova etapa das relações com os norte-americanos, buscando reequilibrar nossa balança comercial e ampliar o volume de investimentos produtivos, através do aproveitamento dos nossos diferenciais, e valendo-se do fato de a atual conjuntura ser altamente favorável ao Brasil nas negociações de antigas divergências, principalmente, quando aos subsídios aos produtores agrícolas americanos e às tarifas, barreiras não-tarifárias e cotas impostas ao ingresso de nossos produtos.




"O Brasil mostrou que uma ditadura pode virar uma democracia e que a reivindicação de mudança pode começar na rua e transformar o país, transformar o mundo."
                                                                           (Barack Obama)


Desde a visita de Franklin Roosevelt, em 1943, quando deflagrada a Segunda Guerra Mundial, e o Brasil foi papel de destaque no ataque aos países rivais, tendo o Aeroporto Internacional Augusto Severo, em Parnamirim, como ponto alto dada a localização estratégica de Natal frente às investidas do Grande Eixo, esta foi a primeira visita de um presidente americano ao nossso país com o Brasil ocupando nova posição de destaque no cenário internacional com base na economia e nas políticas sociais.

Em conversa com a presidente Dilma Rousseff, Obama reiterou o seu interesse em ampliar as parcerias econômicas e comerciais com o Brasil, após os Estados Unidos ter perdido o posto para a China. Assim, registro como positivo o saldo da visita do presidente americano ao Brasil, com esperanças de seja dada a merecida extensão do tempo de visto de permanência de brasileiros no solo americano. Porém, ainda me preocupo com a ganância americana disfarçada numa quase simpatia neoliberal que esconde na verdade a arrogante prepotência de um povo que se acha melhor do que tudo na vida, e não representa nada de significante no mundo contemporâneo, além do poder de seus mísseis e suas ogivas nucleares.

0 comentários:

Postar um comentário