Li estarrecido as declarações racistas e preconceituosas da infeliz estudante de Direito paulista, seguida por uma legião de twitteiros insanos, ao povo nordestino devido ao maciço resultado da presidente eleita Dilma Rousseff nas eleições do segundo turno, e muito me entristeci ao imaginar como uma estudante de Direito, linda e com um futuro brilhante, opte por jogar fora o estágio e o respeito de seus pares em troca de um comportamento insano e imbecil. Alimentando tal pensamento e levando-o em contínuo crescimento para a sua carreira profissional, digo que é melhor a ela não levar adiante a pretensão de atuar no ramo do Direito, visto que seria uma ofensa aos preceitos constitucionais e uma desonra para a classe. Não dá para entender como uma acadêmica de Direito do estado mais desenvolvido da nação seja tão desprovida de senso crítico e possa ter um comportamento tão vergonhoso. O que essa faculdade sugere como leitura a seus alunos? O que pensam seus mestres e sua família diante dessa situação? Não acredito que tal conduta seja alimentada no seio de uma família normal.
A maneira como essa garota e outros tantos que lhe apoiaram com comentários afins vê o mundo é de uma monstruosidade sem precedentes na atualidade, prática somente vista na era Hitler. O que diz uma das entrevistadas, de 35 anos, à reportagem de Época (651) é inconcebível, afirmando que São Paulo sustenta os nordestinos e eles decidem quem vai nos governar. O fato seria risível se não fosse trágico. São Paulo nasceu da força da mão-de-obra nordestina e, sem dúvida nenhuma, esses xenófobos são de origem nordestina, em maior ou menor escala têm o sangue nordestino nas veias, prova disso é a coragem que têm de falar o que pensam. São em sua essência um produto “made in Nordeste”. Chico Buarque bem definiu o povo brasileiro em sua obra entitulada “Para todos”.
Não entendo, no entanto, como esses paulistanos desvairados podem dizer que o povo nordestino foi o único responsável pela vitória da presidente eleita, se a divulgação do resultado final da eleição presidencial feita pelo TSE mostra que Dilma não dependia do Nordeste para vencer. Atentem para o fato de que Serra venceu apertadamente no estado de São Paulo. O extremo dessa polêmica é que se coube ao povo nordestino escolher uma sulista para o novo governo brasileiro, São Paulo decidiu que o poder de legislar caberia a um palhaço, ou seja, cansados de serem feitos de palhaços por seus representantes, escolheram um palhaço profissional para melhor representá-los no Congresso Nacional, dando a Tiririca a maior votação para deputado Federal no país – 1,353 milhão de votos. E, pasmem! Um palhaço nordestino. Eis o paradoxo criado por aqueles que odeiam o Nordeste e só se sentem gente e provam do doce sabor da liberdade quando se permitem conhecer a vida nordestina in loco.
Confesso que não endossei a campanha e a eleição da ex-ministra Dilma à Presidência da República, que, independentemente do meu voto e da vontade dos meus irmãos nordestinos, folgadamente seria a primeira mulher presidente no Brasil, fato histórico para a nação, além do também histórico fato de ter um partido político feito o seu sucessor para a Presidência do Brasil. Mas, a história da nação não interessa a essa gente tão culta e inteligente que só têm a deixar como herança o legado do ódio e da opressão. Entretanto, não posso nutrir ódio e desrespeito a quem pensa diferente de mim. Vivemos num país livre, temos ensinado ao mundo o que é a verdadeira democracia. Optamos pela proibição de qualquer tipo de pensamento ou manifestação que atente contra os direitos de nossos concidadãos, dissemos que repudiamos o preconceito, o racismo e a intolerância, quando elegemos nossos representantes que elaboraram leis que preconizam a esse respeito. Ah! Perdoem-me a minha pobre cultura nordestina. Esqueci que essas pessoas cultas e inteligentes despendem seu precioso tempo para coisas mais importantes como a incitação ao crime de homicídio, ao pedirem publicamente para que matem um nordestino afogado.
É uma pena que uma grande parcela dessa gente dita inteligente do Sudeste ignore a enorme contribuição nordestina para o desenvolvimento do Brasil, pois a sua cultura é tão ampla que só lhes permite aprender e ensinar a viver numa selva de pedra dominada pelo narcotráfico, pela violência urbana e pelos embalos do funk e do “bundalelê”. A sorte é que não são todos os irmãos do Sudeste que são limitados a emitir grunhidos com letras do que chamam de música com frases desconexas mal formadas por palavras – palavras? – como “cachorra”, “tchutchuca”, “tigrão” e outras pornografias inexistentes na linguagem humana.
Nasci no Sudeste, e me orgulho por ter nascido na região mais rica do país. Mas, dou graças a Deus por ter sido criado livre no Nordeste, sem as grades das residências paulistas, morando em uma casa que diuturnamente mantém suas portas abertas, podendo sair e voltar à hora que bem entender, estudar e trabalhar com dignidade e criar o meu filho como gente. Sim, nordestino é gente também. E, apesar das grandes dificuldades que vive, dificuldades essas promovidas pelos governantes do Sul e Sudeste quando presidentes, é um povo feliz, que sorrir com vontade, ri da própria desgraça, mas tem o prazer de saber o verdadeiro significado de liberdade, felicidade, dignidade e vida.
Aqui no Nordeste tive a oportunidade de alcançar a graduação em Direito, podendo livremente optar por não fazer uso de drogas, sair às ruas sem precisar procurar por balas perdidas nem me obrigar a abrir mão do tanto que aprendi para estar descendo até o chão ao embalo de um batidão sem qualquer fundamento, como devem fazer a pobre estudante de Direito e seus fieis seguidores, e imagino sob qual efeito devam estar quando escrevem essas idiotices, com o único intuito de serem seguidas como imagem de procissão. Somente uma pessoa incapaz se limita a se expressar em apenas 144 caracteres.
Apesar de pensar diferente, concordo que não é fácil ser patrocinador de programas como o bolsa-família. Ainda mais quando vemos pessoas que se acomodam a viver com essa miséria distribuída pelo governo federal ao invés de procurar uma ocupação lícita. Mas também sou obrigado a admitir que o programa beneficia famílias que fazem milagres com essa ínfima renda mensal, e educam seus filhos e lutam por melhoria e justiça social como muitos jovens não fazem achando que estão vivendo no país das maravilhas e que nada têm a ver com os rumos do país, e só fazem avolumar os problemas sociais que enfrentamos de Norte a Sul.
Como a nobre colega, eu sou branco e não necessito da bolsa-miséria que, contra a minha vontade, também ajudo a promover. E isso não me faz melhor nem pior do que ninguém. Porém, digo que é muito melhor viver livre nem que seja à base e à sombra de mandacaru e xique-xique, do que sofrer as agruras por que passam nossos irmãos do Sudeste do país.
Diante da celeuma que essa pobre criatura criou para a sua vida, só tenho a lamentar por sua vida a partir de então, ao ver que sua situação não é nada confortável antes as posturas louvadamente adotadas pela OAB-PE e pelo escritório em que ela estagiava. A ação penal por racismo e incitação pública de prática de crime, no caso, homicídio, que ela irá responder, poderá lhe proporcionar, somadas as penas dos dois delitos, de 2 anos e 3 meses a 5 anos e seis meses de prisão, mais pagamento de multa. Seria uma boa saída para a sua defesa apostar num teste de insanidade mental para minimizar sua sentença, caso ela venha a ser condenada, o que não é difícil de se constatar, dada a forma como a futura doutora se expressa. Isso sem falar dos erros de português que a sua grande inteligência lhe permite. Talvez a sua inteligência se deva aos gravíssimos erros nas publicações das obras didáticas, como temos visto nos últimos anos.
Ante todo o exposto, só tenho a desejar muita sorte a essa pensadora do mundo contemporâneo em sua primeira batalha judicial como ré – o que poderia ser como causídica – e pedir desculpas ao povo nordestino, em nome da minha região, pelo que me sinto profundamente envergonhado em fazer parte de uma nação única onde existem pessoas, que se acham superiores pura e simplesmente por limites regionais impostos pela política geográfica.


3 comentários:
e por causa de pessoas como essa, que o brasil ta nessa lama. uma estudante de "direito" falar uma coisa dessas,ela ta se preparando pra que. sera que isso é gente?.
Eu sou NORDESTINA e tenho o maior orgulho de ter nascido em Maceió, morei por 4 anos em SP, mas hoje moro em Portugal, por mais longe que imagino está de minhas raizes, tento manter o meu sutaque arretado (oxê, oxente, etc), e jamais terei vergonha de de ser quem sou, sinceramente não sei o que se passou na cabeça de uma menina para falar o que falou, mas o facto é que ela na verdade tenha inveja de não ser NORDESTINA... pois temos as mulheres mais LINDAS do BRASIL...
Caro amigo EDuardo estou em São Paulo e lhe digo não quero morrer afogado kkkkkkkkkkkkk
aqui tem gente acolhedora, ela é uma virgula na sociedade,To gostando muito da estadia e pretendo voltar mas quando me perguntarem sobreo o nordeste lhe responderei, não existe nada igual la é o paraiso fiquem com inveja. rsrr Natal, fernando de Noronha, porto de galinhas, salvador... se eu for falar aqui não cabe rsrsr Ser nordestino é unico rsr abraços
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